Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta 2019

Jojo Rabbit (2019) é um filme de Wes Anderson? Não. Mas visualmente podia ser.

Jojo Rabbit (2019), o mais recente filme do realizador Taika Waititi, é belíssimo visualmente, composto por paletas de cor tão cuidadas que nos transportam imediatamente para o universo de Wes Anderson. Os tons pastel que harmonizam as cenas deslocam-nos para um universo de fantasia, mas que retrata uma das épocas mais negras da humanidade: o regime nazi. Apesar de toda a semelhança visual que de todo me agrada, a história é de uma originalidade e ousadia tremenda, por vezes não passando os limites do aceitável por muito pouco. Mas não passa. E os assuntos em que toca fá-lo de forma sensível e com um remate apropriado. O filme criou muita controvérsia por tocar num tema "demasiado sério" através da comédia, o que aos olhos de muitos é imprudente. Esta até é uma premissa que eu subscreveria não fosse a incrível realização da própria personagem principal das falácias da educação de que é fruto. Se uma criança de 10 anos se consegue aperceber dos buracos d...

Kingdom Hearts 3 (2019) Um autêntico deleite!

Que autêntico deleite! Kingdom Hearts já há muito move os seus fãs com os seus mundos repletos de inocência e magia. O aclamado RPG da Square Enix mistura personagens e universos da Disney e da Pixar com os originais mundos do Kingdom Hearts, em estilo anime, num resultado repleto de surpresas e imaginação.  Comecemos pelos mundos. Kingdom Hearts 3 (2019) move-se por 11 diferentes mundos muito distintos visualmente e nas aventuras. Deles fazem parte Olympus (Hercules), The Twilight Town, Kingdom of Corona (Tangled), Arendelle (Frozen), Monstropolis (Monsters Inc.), Toy Box (Toy Story), San Fransokyo (Big Hero 6), The Caribbean (Pirates of the Caribbean), 100 Acre Wood (Winnie the Pooh) , Keyblade Graveyard, Scala Ad Caelum e ainda o DLC Remind.   Cada mundo faz menção a um universo já bem patente na nossa memória e imaginação, por via do meio a que originalmente pertencem, o cinema, e permite-nos interagir e fazer parte de muitas da histórias que amamos....

On Writing de Stephen King (2000)

"On Writing", de Stephen King, é um livro curto e conciso. Surgiu da necessidade do autor partilhar alguns dos seus conhecimentos sobre o trabalho de escritor propriamente dito, a escrita, e de dar vários conselhos a quem se interessa pela atividade. Stephen King é um dos autores mais prolíferos da atualidade, tendo na sua carreira já publicado mais de 60 livros, 200  short stories e 6 trabalhos de não ficção. Além disso, os seus trabalhos já foram adaptados para o cinema e televisão em mais de 60 produções. Obviamente que umas são mais memoráveis do que outras. Entre as melhores estarão "The Shinning" (1980) realizado por Stanley Kubrick, "The Shawshank Redemption" (1994), "The Green Mile" (1999) e "The Mist" (2007) realizados por Frank Darabont e "It" (2017) realizado por Andy Muschietti, entre muitos outros. Apesar de nunca ter entrado pela obra literária do autor, vi muitos dos filmes a que deram forma. Curiosamente,...

Americanah (2013) de Chimamanda Ngozi Adichie

Foi um pouco por sorte que me esbarrei com Chimamanda Ngozi Adichie e o seu belíssimo discurso "Todos devíamos ser feministas" . Não podia ter havido encontro mais feliz. Conquistada, passei à leitura do seu romance "Americanah" (2013) que explora em profundidade temas como a identidade, raça, género, amor, sexualidade e pertença, com uma honestidade brutal capaz de nos fazer rir e corar ao mesmo tempo. É um romance repleto de agência feminina e das mais detalhadas descrições e reflexões. Ifemelu é uma jovem nigeriana a estudar nos Estados Unidos da América. Moveu-se para lá devido à ditadura militar que se instalou no seu país, para estudar Comunicação. Mal se mudou para o novo país foi apresentada a um novo conceito, que apesar de não lhe dizer nada tem raízes profundas na sociedade em que se encontra. Na Nigéria não se pensa em raça. As pessoas dividem-se por classe, religião e género, mas a raça não é relevante, uma vez que quase toda a população é negr...

100 publicações no The Upsidedown Space

Chegamos finalmente às 100 publicações deste blogue. Em jeito de celebração, vou fazer um apanhado dos 10 posts mais lidos desde 2016, altura em que iniciei este projeto que em muito me ajuda a modelar o caos da existência e dar forma à minha vida, além de me manter constantemente motivada a descobrir coisas novas na esperança de as partilhar com like minded people e quem sabe dar uma sugestão ou outra que possa ser de interesse. Por ordem apresento então a publicação mais lida até à décima mais lida, com as respectivas ligações: Garden Of Words (2013) de Makoto Shinkai Kedi (2016) Na pele dos gatos de Istambul Nanette (2018) de Hannah Gadsby e a dor que o humor esconde Serpentes de Água- Tony Sandoval "As Crónicas de Gelo e Fogo" de G. R. R. Martin - Livro I e II Deep Dark Fears de Fran Krause O Livro Tibetano da Vida e da Morte Carnival Row (2019) Patrick Melrose (2018) Hellblade: Senua's Sacrifice

The Dark Crystal: Age of Resistance (2019) A mestria das marionetas na era do CGI

The Dark Crystal: Age of Resistance (2019), série lançada pela Netflix no fim de Agosto deste ano, é a prequela do filme The Dark Crystal (1982), e conta a história dos habitantes do planeta Thra, onde a magia prolifera, após a invasão dos tiranos Skeksis. Até à sua chegada, Thra e os seus habitantes viviam em equilíbrio e harmonia, alimentados pelo enorme poder do cristal. Ganaciosos e maldosos, os Skeksis partem o cristal que se corrompe, e começam a roubar a essência dos Gelflins, ameaçando assim a sua existência. Num mundo de fantasia com cenários super elaborados e um grande leque de criaturas, são marionetas que dão vida à ação e emoção e espantam ao mostrar como histórias inspiradoras podem ser contadas através de qualquer técnica. Numa época em que o CGI é rei e quanto mais melhor, é incrível como se torna acolhedor um mundo que é construído na realidade. Claro que são sempre usados efeitos em determinadas cenas, mas no geral os bonecos existem e são animados por pesso...

The Dark Pictures: Man of Medan (2019)

Dos mesmos criadores de Until Dawn (2015) , a Supermassive Games, saiu recentemente Man of Medan (2019), o primeiro de vários jogos a integrar a saga The Dark Pictures. A aventura é uma narrativa interativa que permite 2 a 5 jogadores e está claramente desenhada para ser jogada de uma vez, num serão com amigos/as. Do ponto de vista da cooperação, o jogo funciona bem, é divertido e espero que apareçam mais deste género. Da mesma saga já está previsto o próximo "Little Hope" (2020), que apesar de receber contornos narrativos totalmente distintos está previsto funcionar da mesma forma ao nível da jogabilidade. Voltando a Man of Medan (2019), a história inicia-se numa fragata da Segunda Guerra Mundial, em que jogamos com um dos militares e nos apercebemos de que algo demoníaco está também a bordo. Depois somos transportados para o presente, com um grupo de amigos que vai fazer mergulho no alto mar. Atacados por um grupo de piratas modernos e embrulhados num...

Carnival Row (2019)

Carnival Row (2019) estreou recentemente na Amazon Prime e é um mundo de fantasia crime e mistério que se passa num local e época que relembra a Londres Vitoriana. Mistura um toque de Penny Dreadful , pelas criaturas, crime e mistério e Downtown abbey, pela critica social que se faz sempre sentir presente.  A série tem como protagonistas Orlando Bloom e Cara Delavigne. Orlando Bloom interpreta Rycroft Philostrate, um misterioso detective em Burgue e Cara Delavigne interpreta Vignete Stonemoss, uma pixie refugiada. A narrativa principal é o romance entre os dois, à medida que vamos sendo apresentados às suas personalidades e ao seu passado.  Orlando Bloom faz um trabalho excelente. O ator já é conhecido de outros papéis em filmes de fantasia, como Legolas na triologia "O Senhor dos Aneis". Porém, Philo é uma personagem mais densa, misteriosa e negra, que nos aguça a curiosidade.  Cara Delavigne faz um bom trabalho. Pessoalmente, tenho alguns problema...

Once Upon a Time in Hollywood (2019) de Quentin Tarantino

Quentin Tarantino está de volta e o esquadrão é nada mais nada menos do que Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie. "Once Upon a Time in Hollywood" reconta os terríveis eventos que levaram à morte da atriz Sharon Tate, assassinada por membros da Manson Family, o culto liderado por Charles Manson, em tons de conto de fadas onde os finais felizes acontecem. É sem dúvida uma ode a Hollywood, a fábrica de sonhos moderna por excelência que Tarantino tanto ama. Leo DiCaprio dá corpo a Rick Dalton, uma personagem fictícia que é um ator em plena crise existencial à medida que se tenta adaptar ao fim da época dourada de Hollywood, nos finais da década de 60, e dar o derradeiro salto da TV para o cinema. Brad Pitt interpreta Cliff Booth, personagem também fictícia, que é o duplo de Rock Dalton.  Margot Robbie é Sharon Tate. A crise de Rick representa em parte a mudança cultural da altura em que a televisão e o cinema passaram para uma fase muito mais violenta. Viol...

Mindhunter: O fascínio pelo extremo lado negro da mente humana

Mindhunter (2017), com produção de David Fincher, que realiza também vários episódios, já nos tinha surpreendido ao contar a história de Ed Kamper, através dos olhos da equipa do FBI que deu início ao estudo comportamental e psicológico de assassinos em série. A primeira temporada foca-se essencialmente em Holden Ford (Jonathan Groff) , um novo agente especial na Unidade de Ciências Comportamentais do FBI. Nesta segunda temporada a história expande à vida pessoal dos restantes personagens e introduz novos assassinos. Entre eles e estão Son Of Sam, Charles Manson e o já mencionado, na primeira season, BTK.  O aclamado realizador que se solidificou no género de crime psicológico com "Se7en" (1995), um clássico contemporâneo, traz muito dessa estética para esta série.  A dinâmica de Holden Ford e Bill Tench (Holt McCallanny) lembra Morgan Freeman e Brad Pitt em "Se7en" (1995) deixando sempre em aberto a relação de companheiro/inimigo que o agente mais exper...

Tolkien (2019): Uma biografia do génio que criou a fantasia moderna

Tolkien (2019), escrito por David Gleeson e Stephen Beresford e realizado por Dome Karukoski, mostra-nos a vida do autor que revolucionou o género literário de fantasia, dando origem à fantasia moderna. É a referência dos grandes autores do género contemporâneos, incluindo George R. R. Martin, criador da saga de sucesso " A song of Ice and Fire ". Os filmes baseados na obra do autor cativaram a imaginação de uma geração inteira, senão mais, com as triologias de "O Senhor dos Anéis" e " The Hobbit", recheadas de magia e fantasia, mas acima de tudo de valores como a amizade e o companheirismo. Por isso quando vi o trailer não consegui deixar de sentir uma enorme excitação por ver um retrato biográfico de uma mente tão singular. Além de que me tinha iniciado recentemente na sua obra literária com " Beren and Luthien ". A escolha do ator para interpretar John Ronald Ruel Tolkien agradou-me. Nicholas Hoult tem o perfil pedido para o papel e j...

Long Shot (2019): Inteligência e diversão com Charlize Theron e Seth Rogen

Não sou especialmente dada a comédias românticas. Por isso, quando uma me faz rir so início ao fim, com piadas certeiras, agudas e inteligentes, desconfio logo que estou perante algo com valor. Não necessariamente brilhante, mas com valor. "A Long Shot" (2019) escrito por Dan Sterling (Girls, 2012) e Liz Hannah (The Post, 2017) e realizado por Jonathan Levine, encontra-se nesse espectro. O filme mistura alguns dos temas mais acessos da contemporaniedade com cenários absolutamente ridículos, misturando drama político, romance e comédia grosseira numa receita de sucesso. Conta o reencontro do jornalista Fred Flarsky (Seth Rogen) com a sua antiga babysitter e fantasia romântica, Charlotte Field (Charlize Theron), após se despedir do jornal independente onde trabalhava devido à sua aquisição por uma grande corporação. O filme vive da interação do casal, que garante constante química. Charlotte Field é secretária de estado e sempre foi ativista pelo ambiente e vai agor...

The Umbrella Academy (2019)

A mais recente série de Steve Blackman, já conhecido pelas participações em Fargo (2014), Legion (2017), e Altered Carbon (2017), põe a icónica Ellen Page no centro do ecrã, num enredo fantástico que se serve do drama familiar como catalizador da acção.  Vanya é a sétima e última dos irmãos adoptivos que compõem a The Umbrella Academy, fundada pelo seu pai adotivo milionário para dar sentido à estranha condição dos seus filhos. Todas as crianças nasceram no mesmo dia, filhas de mães que nunca tinham estado grávidas até ao momento do parto. Não fosse isso já suficientemente fora do comum, todas crianças, indesejadas pelas suas mães biológicas, foram revelando ter poderes, à medida que cresciam no seu lar adoptivo. Todas menos Vanya, a número sete. Luther, número 1, é um astronauta com o corpo de macaco gigante, dotado de super força e durabilidade. Diego, número 2, tem super agilidade e a habilidade de curvar qualquer objecto. É, no entanto, uma personalidade rebelde. ...

The Spanish Princess (2019)

Já aqui deixei os meus pensamentos em relação à série britânica "The White Queen" (2013),  à qual se seguiu "The White Princess" (2017) .  Adorei ambas. Apesar de se apresentarem como séries independentes uma da outra,  na realidade dá-se continuidade à história,  sendo que a primeira retrata o conflito das Casas Lancaster e York, na Guerra das Rosas e na disputa pelo direito ao trono,  e a segunda retrata o início do fim desse conflito,  com o casamento de Elizabeth de York e Henry Tudor a juntar as duas casas. The Spanish Princess (2019) mais uma vez assume-se como uma série independente mas não é senão a continuação do que nos narra a história,  sendo a protagonista Katherine of Aragon (Charlotte Hope),  princesa espanhola,  filha de Ferdinand II of Aragon e Isabel I de Castilla,  prometida em casamento desde infância a Arthur Tudor, filho primogénito de Elizabeth de York e Henry VII,  tendo em vista juntar os reinos catól...

Rocketman (2019): a musicalidade de Elton John trazida ao cinema

Rocketman (2019) de Dexter Fletcher,  mostra-se com uma criatividade e energia adequada à personalidade que retrata. Se afirmo que a musicalidade de Elton John foi trazida ao cinema, é porque cenas de dança e canto preenchem de fantasia este filme, que conta a vida de Reginald Dwight, mais tarde tornado famoso pelo seu pseudónimo, Elton John. Sob a forma de musical,  o filme é uma biografia pouco usual,  mas que funciona perfeitamente na mensagem e na vibe que quer passar. A escolha de Taron Egerton é a cereja no topo do bolo,  tendo o ator,  além de mostrado uma performance confiante,  cantado as músicas para o filme.  Assim, vemos, durante duas horas, o caminho do músico até ao estrelato e as dificuldades que enfrentou,  desde a infância até se tornar milionário e famoso,  tomando liberdades cronológicas para se aproximar da que é a visão do próprio Elton John da sua vida. Esta não é uma biografia inspirada apenas por factos, é largament...

God Of War: Raising Kratos (2019)

Alguns de certo viram o crescimento da personagem Kratos ao longo dos anos,  à medida que ia acontecendo.  Para mim,  não tendo acompanhado o franchising desde o seu início,  jogando apenas God Of War 4,  havia muito do que se falava que não compreendia. O documentário "Raising Kratos" (2019),  que retrata o making of de God of War 4,  dá uma boa noção da evolução da personagem e do alagamento das suas dimensões.  O filme acompanha a equipa do estúdio de videojogos Santa Mónica nos 5 anos que se antecederam ao lançamento do jogo. Fala no desenvolvimento da personagem,  nos problemas e desafios logísticos que se apresentaram a tão ambiciosa produção e de como conseguiram ultrapassar as expectativas. Desde já aproveito para dizer que adorei o God of War 4.  Se não escrevi sobre o jogo aqui no blogue,  à data que o joguei,  foi muito devido a esta falta de background que não me permitia uma análise completa. A relação d...

The Marvelous Mrs. Maisel (2017)

Com já duas temporadas e uma terceira agendada para 2019,  The Marvelous Mrs Maisel é uma série televisiva tão encantadora como cómica. Estamos nos anos 50 e Midge Maisel,  a quem Rachel  Brosnahan dá forma, vê a sua perfeita vida de dona de casa,  de classe média alta,  destruída quando o seu casamento com Joel, interpetado por Michael Zegen, aspirante a comediante, a deixa pela sua secretária. Se este mote não podia parecer mais cliché,  não é de todo o que define a história e o todo o ambiente.  À beira de um ataque de nervos,  Midge Maisel inicia a sua carreira de comediante,  à medida que lida com as dificuldades de ser uma mulher,  solteira e independente, num cenário em que o patriarcado ainda dá ordem. É uma aventura de auto descoberta de uma mulher que, habituada a saber perfeitamente qual o seu papel, ousa descobrir a sua própria voz.  Os episódios são recheados de um humor carismático e inteligente,  ...