Quando se pensa em Bryan Fuller, nome que ecoa tanto nas extravagancias de American Gods como nas sombras psicológicas de Hannibal, poderia parecer estranho associá-lo a um filme que é simultaneamente conto de fadas e história de horror. Não fosse a versatilidade uma das características do realizador. Dust Bunny , a sua estreia na realização de uma longa-metragem, não é apenas uma afirmação das obsessões que atravessam a sua obra, onde o fantástico se cruza com o grotesco. É também uma declaração de amor às histórias que nascem do medo e da imaginação, sobretudo aquelas que carregamos desde a infância. A premissa parte de uma menina de oito anos que contrata um assassino profissional para matar o monstro que vive debaixo da sua cama . Mas Fuller retorce este ponto de partida com subtileza e sensibilidade suficientes para que até os elementos mais absurdos ganhem peso emocional. Aurora (Sophie Sloan) habita um universo onde a ameaça real e a fantasia subjetiva se conf...
O desenvolvimento das primeiras bombas atómicas, durante a Segunda Guerra Mundial, continua a ser um dos episódios mais revisitados da história do século XX, não apenas pelo seu impacto, mas porque condensa uma pergunta que permanece em aberto: como é que uma comunidade inteira contribui para uma mudança tão irreversível no mundo? É precisamente nesse ponto que a série Manhattan (2014) se revela um complemento essencial ao filme Oppenheimer (2023) . Ambas as obras partem do mesmo momento histórico: a criação da bomba atómica durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, elas adoptam escalas e estratégias narrativas distintas. Enquanto Oppenheimer se constrói como um retrato autoral (fragmentado, obsessivo, centrado na figura do cientista enquanto símbolo do génio moderno e do seu colapso moral), Manhattan recusa o mito individual e opta por uma perspetiva mais comunitária, acompanhando o quotidiano da cidade secreta de Los Alamos e das muitas vidas q...