Quando escrevi sobre a saga 28 aqui no blogue, a ideia central era simples: estes filmes nunca foram verdadeiramente sobre zombies. Sempre foram sobre estados emocionais colectivos. Primeiro, o choque (28 Dias Depois). Depois, a negação (28 Semanas Depois). E, no 28 Anos Depois, a habituação. O mundo não acabou, e o horror tornou-se rotina. 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos pega exactamente nesse ponto e leva-o para um lugar ainda mais estranho. Se o filme anterior mostrava pessoas a viver no pós-apocalipse, este mostra pessoas que já não sabem que estão no pós-apocalipse. Não têm memória de um mundo anterior ao vírus, com ordem e regras. Para elas, este é simplesmente o mundo, com novas formas de convivência que surgem em micro-grupos organizados de maneiras completamente distintas. Durante muito tempo, a saga construiu o medo a partir do movimento — correr, fugir, escapar. Aqui, o medo nasce de uma forma estabelecida de viver. As novas comunidades já não são apenas ...
Eu já desconfiava que Marty Supreme (2025) ia ser especial. Não só por ser realizado por Josh Safdie, nem apenas por ter Timothée Chalamet no centro, mas pelo tipo de filme que parecia querer ser. Há biografias que organizam vidas. Esta acompanha um estado mental. Em vez de uma narrativa limpa de ascensão-queda-redenção, seguimos alguém que vive permanentemente em improviso, quase como se pensar fosse um atraso entre dois gestos. À superfície, é a história de um jogador nova-iorquino de ténis de mesa dos anos 50 que decide tornar-se campeão do mundo. Mas isso é só o pretexto confortável que nos deixam agarrar nos primeiros minutos. O filme rapidamente revela outra coisa: um jovem incapaz de suportar a ideia de não ser visto como extraordinário. Não de não o ser — de não o parecer. Marty não entra nas cenas. Ele ocupa-as. Fala antes de pensar, ri antes da piada acabar, promete sem saber se consegue cumprir. Há qualquer coisa de vertiginoso na forma como arrasta todos consigo, não por...