Doutorada em Ciências da Comunicação e investigadora académica nas áreas do cinema e das representações femininas, Catarina Bessa Rodrigues olha a imagem como linguagem antes de a usar como ferramenta. Talvez por isso, quando filma, não o faz para “provar que esteve lá”, mas para tentar captar aquilo que escapa à imagem: a vibração do momento, o corpo em movimento, a respiração de um espaço, o tempo vivido.
No Norte do país, entre Barcelos e Braga, o seu nome surge associado à Lightshot Video&Photo, uma marca que funciona quase como assinatura. A apresentação é simples — videografia e fotografia — mas o trabalho revela uma atenção clara à construção de imagens com intenção, longe da lógica apressada do mero conteúdo para consumo rápido.
O portfólio inclui videoclipes, registos documentais, resumos, teasers e outros formatos audiovisuais, sempre marcados por uma preocupação narrativa. Filmar, aqui, não é apenas apontar a câmara, mas fazer escolhas: de enquadramento, de ritmo, de ponto de vista. É construir sentido num contexto em constante movimento.
Esse controlo vem também do domínio de todo o processo. Catarina é operadora de câmara, editora e realizadora, acompanhando o trabalho do olhar inicial à montagem final. Os seus vídeos funcionam menos como registo bruto e mais como pequenas peças de memória editada.
A academia acrescenta densidade a este percurso. O seu trabalho doutoral, centrado no cinema e nas representações femininas da fantasia, não dita como filma, mas influencia como vê a imagem: como sistema cultural, como narrativa, como construção. Entre o fazer e o pensar, Catarina Bessa Rodrigues constrói uma prática atenta, num tempo em que a imagem raramente tem tempo para respirar.

Comentários
Enviar um comentário