Há filmes que não se deixam organizar facilmente em categorias, que recusam a linearidade e a clareza, e que, por isso mesmo, permanecem no corpo mais do que na memória lógica. The Bride! (2026) , de Maggie Gyllenhaal , é um desses casos raros. É uma obra que parece menos interessada em contar uma história do que em provocar uma experiência sensorial, quase febril, sobre o que significa regressar à vida dentro de um corpo que nunca chegou a ser verdadeiramente nosso. Sendo eu amante de filmes de fantasia com personagens femininas nos papéis principais, este foi um dos filmes que me deu tanto prazer visualizar como apenas The Shape of Water (2017) conseguiu em anos recentes. Mesmo recheado de elementos sobrenaturais, The Bride! consegue, através de um female gaze sublime e da performance excelente de Jess Buckley, mexer com os temas mais sensíveis da nossa humanidade. Partindo do imaginário clássico de Frankenstein e da tradição literária inaugurada por Mary Shelley , que fo...