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A Academia da Mentira de Alexis Henderson


Eu dei 5 estrelas a A Academia da Mentira — e não foi por simpatia, foi porque este livro me prendeu mesmo.

Confesso que fui para esta leitura com expectativas muito específicas: queria fantasia escrita por uma mulher, com uma personagem principal feminina e, especialmente importante para mim, adulta. Queria maturidade, agência, complexidade. Queria uma protagonista que não estivesse ali só para “acontecerem coisas” à volta dela. E foi exatamente isso que eu encontrei.

O livro agarrou-me logo no início e uma das razões principais foi o carisma da Lennon. Há personagens que se impõem assim que entram em cena — não por serem perfeitas, mas por serem humanas, cheias de camadas e contradições. E a Lennon é isso. Ela é muito bem construída, complexa, com uma presença que nos faz querer acompanhá-la, mesmo quando ainda não percebemos tudo sobre ela. E uma coisa que me deixou mesmo contente foi isto: ela tem agência. Ela escolhe, reage, enfrenta, cresce. Não é uma personagem passiva nem decorativa. É corajosa — mas não no sentido cliché. Corajosa no sentido em que continua, mesmo quando não tem garantias nenhumas.

O ambiente do livro dá mesmo dark academia vibes, e para mim isso é um dos grandes pontos fortes. Há aquele clima de mistério, regras não ditas, e uma sensação constante de que existe sempre algo escondido por trás das paredes e dos silêncios. Mas o que eu achei especialmente interessante é que, apesar do cenário ser uma academia com todo aquele peso fechado, A Academia da Mentira consegue manter um lado realista, precisamente porque a Lennon tem contacto com o mundo exterior. E isso cria contraste. Cria tensão. Cria camadas. A academia não está isolada numa bolha narrativa — e isso, para mim, dá uma dimensão muito mais credível e interessante à história.

Eu já estava a gostar, mas o livro ganhou outra força quando a Lennon começa a desenvolver as suas habilidades de persuasão em Drayton. A partir daí senti mesmo aquela sensação de “ok, agora isto vai escalar”. E escala, mas sem perder controlo. O ritmo é equilibrado — não é uma avalanche de informação, mas também não é lento ao ponto de nos tirar o entusiasmo. É aquele tipo de leitura fluída que se lê bem, mas que ao mesmo tempo te faz parar para pensar, ligar pontos, desconfiar do que estás a ver.

E isto é uma das melhores coisas que posso dizer sobre este livro: eu desconfiei do enredo, senti que havia algo ali a ser preparado, mas nunca percebi realmente o que ia acontecer. Fui apanhada desprevenida quando descobri o motivo pelo qual a Lennon estava a desenvolver as suas capacidades, e para mim isso foi um ponto altíssimo da narrativa. Não foi só surpresa por surpresa: foi uma revelação que encaixou, que deu sentido, que virou a história do avesso. A sensação que ficou foi “ok… eu não estava preparada para isto”, no melhor sentido.

A escrita é fluída, fácil de acompanhar, mas com conteúdo. Não é simples no sentido de vazia — é interessante, tem atmosfera, e segura bem o tom que a história precisa. O livro sabe quando acelerar e quando deixar as coisas a arder em lume brando.

No fim, fiquei com um sentimento muito claro: eu quero a sequela. E para mim isso diz tudo. Porque há livros que terminam e a gente fecha com um “ok, gostei”. E depois há livros que acabam e deixam aquela fome narrativa, aquela vontade de voltar para o mundo e continuar a seguir a personagem. A Academia da Mentira foi esse segundo tipo.

Recomendo a todos os amantes de protagonistas femininas complexas, com agência, coragem e presença real. Para quem gosta de personagens femininas bem escritas, daquelas que não se resumem a uma trope, este livro vale muito a pena. 5/5 estrelas.

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