Já lá vão muitos anos em que, curiosamente, mesmo eu sendo uma amante da fantasia, volto sempre a incluir no meu catálogo anual a saga iniciada pelo brilhante “28 Dias Depois” (2002), de Danny Boyle. Para lá de um Cillian Murphy ainda no arranque da carreira, o filme tem um guião que na altura parecia mesmo fresco e uma banda sonora incrível, com os Godspeed You! Black Emperor a elevarem a tensão ao máximo numa das cenas que é para mim uma das mais marcantes do cinema britânico. E se me dá um prazer enorme revisitar este universo, também me oferece alguns pesadelos, porque não sou, por norma, fã de produções de terror. Ainda assim, o filme conquista-me precisamente por ser mais do que sustos: é um apocalipse íntimo e silencioso, com Londres vazia a parecer um lugar errado, como se o mundo tivesse sido desligado. E quando os infetados aparecem, não são zombies lentos: são rápidos, ferozes, quase como se a raiva tivesse tomado conta do corpo. No meio disso, o que...