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Coração Revelador (2018), curta metragem de São José Correia

"Coração Revelador" é uma curta metragem portuguesa da autoria de São José Correia. A curta tem 10 minutos e é inspirada no conto homónimo de Edgar Allan Poe. Em termos técnicos,  a realização é muito simples. Apresenta-se-nos,  na maior parte do tempo, em plano americano,  um sujeito que confessa um crime. Quem o personifica é Rui Neto,  com Marques D'Arede como vítima. Enquanto assitimos a tamanho relato,  somos pontualmente transportados em flashbacks,  que ilustram as cenas que nos são contadas,  levando-nos para dentro da preversa mente do narrador dos eventos. A grande pérola é,  porém,  o acting.  Rui Neto confere uma intensidade poderosa ao eventos que narra, conseguindo exprimir a mais sensivel dass emoções.  Choro,  raiva,  paranóia,  todas demonstradas no que é,  na maioria do tempo,  um plano estático,  apenas com um pontual zoom para um close up facial que confere dinamismo à ci...

Ni no Kuni II: The Revenant Kingdom (2018)

"Ni no Kuni II: The Revenant Kingdom" (Level 5) é uma explosão de cor, de doces relações, de incríveis lições morais e totalmente amoroso. Já o primeiro, "Ni no Kuni: The Wrath of The White Witch", foi a história que me fez voltar a apaixonar por videojogos.  A estética do universo mantém-se. Apesar do famoso estúdio Ghibli ter estado envolvido na criação do primeiro jogo, neste segundo a participação não foi tão evidente, não havendo mesmo menção do estúdio nos créditos. Mas foi Yoshiyuki Momose (um dos responsáveis pela animação em Porco Rosso e Spirited Away) que ficou responsável por desenhar as personagens e não há nada que, visualmente, distancie este jogo do primeiro.  Porém, A história de passa-se centenas de anos depois, mas em vários momentos é feita referência ao elementos do primeiro jogo.  Os familiars , uma das figuras que tinham sido centrais, neste jogo não existem. Essa foi uma das maiores desilusões pois um dos highlights tinh...

Hellblade: Senua's Sacrifice

"Hellblade: Senua's Sacrifice" (Ninja Theory,  2017) é uma peça brilhante que conjuga uma temática profunda e muito bem trabalhada, a personagem principal, a jogabilidade a os ambientes visuais e sonoros numa experiência digna do tempo que pede. O jogo é relativamente curto, mas bastante intenso e já o queria jogar há bastante tempo. O que não falta é material a falar sobre a concepção do jogo e da criação da personagem, nomeadamente os diários que acompanharam toda a produção, pelo que me vou focar aqui nos assuntos que têm, para mim, maior interesse.  Senua é uma guerreira celta que sofre de perturbações mentais. Desde cedo vive com psicoses que são no jogo metaforizadas pela "escuridão" (ou darkness),  uma maldição que a persegue e se manifesta numa espécie de doença intravenosa que se vai apoderando do seu braço direito,  até chegar à cabeça. Não me considerando eu especialista no assunto, agradou-me imenso a forma como o tema da psicose é n...

The Terror (2018) da AMC

The Terror (2018), lançada pela AMC, é um cenário impiedoso. Deserto de vida,  de ajuda,  de comida...  E até de moralidade.  A série passa-se em 1848, altura em que dois navios, The Terror e Erubus (que realmente existiram), ficaram presos no Ártico durante a expedição naval em busca da Passagem do Noroeste, tendo de enfrentar terríveis ameaças.  A história data a época da exploração britânica, quando o governo procura desesperadamente uma passagem para melhorar as suas rotas comerciais com a China e Índia. Apesar dos contornos históricos, elementos ficcionais e sobrenaturais são adicionados à narrativa.  A versão real dos acontecimentos não foi menos trágica. Os 129 marinheiros desapareceram juntamente com os dois navios,  que ainda hoje são procurados. Avisa-se que para melhor demonstrar o meu ponto de vista sobre The Terror não me inibirei de falar sobre os seus componentes pelo que haverá spoilers a partir de agora.  A prim...

Alpha (2018)

Alpha (2018) é o novo filme de Albert Hughes (Menace II Society, entre outros) que estreou nos cinemas NOS a 30 de Agosto.  A história faz o relato da sobrevivência de um jovem, na europa de há 20.000 anos, quando se perde da sua tribo e tem de fazer uma longa viagem de regresso a casa.  Se há coisa de que o filme se pode gabar é de uma cinematografia belíssima, com cenas de paisagens naturais que variam largamente de tonalidades. Porém, no início, o ambiente em que a história decorre causa uma certa estranhesa. Primeiro, o dialeto com que os personagens falam é um desconhecido, ao que se junta o facto de existirem mesmo pouco diálogos. As falas neste filme servem mais como impulsionadoras de ação do que qualquer outra coisa. Sendo uma história que retrata a relação de um humano e um animal, o lobo, pode ter sido uma escolha consciente uma vez que a ambas as espécies não é possível o entendimento verbal. Mas não sendo muito usual e não sendo por vezes esse espaço preen...

Garden Of Words (2013) de Makoto Shinkai

Foi com o seu mais recente filme, Your Name (2016), que fui introduzida à filmografia de Makoto Shinkai, que despertou curiosidade suficiente para tentar conhecer as obras prévias do realizador. Assim cheguei a Garden Of Words (2013) uma animação de 45 minutos que conta a história de Takao Akizuki um estudante japonês de 15 anos, aluno do ensino secundário cuja paixão é a de fazer sapatos. Takao encontra-se na transição da adolescência para a idade adulta, cheio de receios e ansiedades sobre o que futuro lhe guardará. E são essas incertezas que o fazem ficar fascinado por Yukari, uma rapariga mais velha e misteriosa com quem se encontra regularmente ao abrigar-se da chuva no jardim nacional de Shinjuku Gyon.   Se a ilustração de Your Name (2016) se provou lindíssima e digna de vários quadros, Garden Of Words (2013) não lhe fica atrás. Cores e contrastes fortes entre tons quentes e frios, light leaks que dão um ar etéreo a cada imagem, planos de detalhe que nos c...

Memórias do Boom Festival 2018

Bem acredito que palavras só não traduzam fielmente a experiência. Mas, agora, de regresso a casa, muito há que contar sobre uma semana passada nas margens da lagoa de Idanha-a-Nova,  na herdade a que se chama Boomland . Poucos são os festivais que se comparam na diversidade de áreas culturais e de entretenimento que o Boom Festival apresenta,  sendo que em Portugal não há nenhum que lhe sirva de comparação.  Apesar de existirem organizações de eventos imensamente competentes nas suas áreas,  no que diz respeito à cultura psicadélica e ao sentido de comunidade, o Boom é único. Este ano a celebração foi em honra à Sagrada Geometria, presente em toda natureza. Nos 7 dias de festival estiveram presentes pessoas de 147  nacionalidades diferentes fazendo com que,  mesmo em solo nacional,  a língua inglesa predomine,  sob o moto de "Love Has No Flag". Outro moto muito presente foi o de "Unplug to Connect" encorajando todos a deixar os ecr...