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The Terror (2018) da AMC

The Terror (2018), lançada pela AMC, é um cenário impiedoso. Deserto de vida,  de ajuda,  de comida...  E até de moralidade.  A série passa-se em 1848, altura em que dois navios, The Terror e Erubus (que realmente existiram), ficaram presos no Ártico durante a expedição naval em busca da Passagem do Noroeste, tendo de enfrentar terríveis ameaças.  A história data a época da exploração britânica, quando o governo procura desesperadamente uma passagem para melhorar as suas rotas comerciais com a China e Índia. Apesar dos contornos históricos, elementos ficcionais e sobrenaturais são adicionados à narrativa.  A versão real dos acontecimentos não foi menos trágica. Os 129 marinheiros desapareceram juntamente com os dois navios,  que ainda hoje são procurados. Avisa-se que para melhor demonstrar o meu ponto de vista sobre The Terror não me inibirei de falar sobre os seus componentes pelo que haverá spoilers a partir de agora.  A prim...

Alpha (2018)

Alpha (2018) é o novo filme de Albert Hughes (Menace II Society, entre outros) que estreou nos cinemas NOS a 30 de Agosto.  A história faz o relato da sobrevivência de um jovem, na europa de há 20.000 anos, quando se perde da sua tribo e tem de fazer uma longa viagem de regresso a casa.  Se há coisa de que o filme se pode gabar é de uma cinematografia belíssima, com cenas de paisagens naturais que variam largamente de tonalidades. Porém, no início, o ambiente em que a história decorre causa uma certa estranhesa. Primeiro, o dialeto com que os personagens falam é um desconhecido, ao que se junta o facto de existirem mesmo pouco diálogos. As falas neste filme servem mais como impulsionadoras de ação do que qualquer outra coisa. Sendo uma história que retrata a relação de um humano e um animal, o lobo, pode ter sido uma escolha consciente uma vez que a ambas as espécies não é possível o entendimento verbal. Mas não sendo muito usual e não sendo por vezes esse espaço preen...

Garden Of Words (2013) de Makoto Shinkai

Foi com o seu mais recente filme, Your Name (2016), que fui introduzida à filmografia de Makoto Shinkai, que despertou curiosidade suficiente para tentar conhecer as obras prévias do realizador. Assim cheguei a Garden Of Words (2013) uma animação de 45 minutos que conta a história de Takao Akizuki um estudante japonês de 15 anos, aluno do ensino secundário cuja paixão é a de fazer sapatos. Takao encontra-se na transição da adolescência para a idade adulta, cheio de receios e ansiedades sobre o que futuro lhe guardará. E são essas incertezas que o fazem ficar fascinado por Yukari, uma rapariga mais velha e misteriosa com quem se encontra regularmente ao abrigar-se da chuva no jardim nacional de Shinjuku Gyon.   Se a ilustração de Your Name (2016) se provou lindíssima e digna de vários quadros, Garden Of Words (2013) não lhe fica atrás. Cores e contrastes fortes entre tons quentes e frios, light leaks que dão um ar etéreo a cada imagem, planos de detalhe que nos c...

Memórias do Boom Festival 2018

Bem acredito que palavras só não traduzam fielmente a experiência. Mas, agora, de regresso a casa, muito há que contar sobre uma semana passada nas margens da lagoa de Idanha-a-Nova,  na herdade a que se chama Boomland . Poucos são os festivais que se comparam na diversidade de áreas culturais e de entretenimento que o Boom Festival apresenta,  sendo que em Portugal não há nenhum que lhe sirva de comparação.  Apesar de existirem organizações de eventos imensamente competentes nas suas áreas,  no que diz respeito à cultura psicadélica e ao sentido de comunidade, o Boom é único. Este ano a celebração foi em honra à Sagrada Geometria, presente em toda natureza. Nos 7 dias de festival estiveram presentes pessoas de 147  nacionalidades diferentes fazendo com que,  mesmo em solo nacional,  a língua inglesa predomine,  sob o moto de "Love Has No Flag". Outro moto muito presente foi o de "Unplug to Connect" encorajando todos a deixar os ecr...

Kedi (2016) Na pele dos gatos de Istambul

Uma hora e tal de gatices fofas nas ruas de Istambul ao som de música tradicional turca? Yes please! Kedi é um documentário lançado em 2016 que segue a vida de sete dos imensos gatos que povoam as ruas da cidade turca. Pela dificuldade de tradução de miaus são pessoas quem dão entrevistas e testemunhos.  Mas desde de quando é que os gatos precisam de falar para se fazerem entender?! O documentário tem por vezes um ar amador mas não deixa por isso de ser totalmente gracioso. Seguimos 7 gatos de personalidade bem vincada nas suas caças diárias e as pessoas que os conhecem e os tratam com o maior cuidado e carinho.  Vim a saber que há, historicamente na cultura islâmica, um imenso respeito pelos felinos, podendo ser encontradas várias referências a estes animais nas suas escrituras. São conhecidos por serem muito limpos e por terem sido adorados por Maomé. Há uma passagem no filme que afirma que "Os gatos sabem da existência de Deus ao passo que os cães pensam ...

Boom Festival 2018 - 22 a 29 de Julho

Foi em 2016 a minha primeira experiência no Boom Festival, em Idanha-a-Nova. Já tinha ido, ao longo dos anos, a festivais que aclamam ter a mesma filosofia mas nenhum tão completo e diverso nas atividades. Partilhei essa experiência num artigo que escrevi à data, deliciada com o que vivi lá:   " Boom Festival: um lugar de encontro entre o corpo, a mente e o espírito " . A duas semanas da edição de 2018 do festival, e com os preparativos já em marcha, invade uma enorme nostalgia e excitação. São 7 dias completos, com um programação extensiva, desde concertos a Dj's, workshops e palestras, exposições e espetáculos, entre muitas coisas. Para mim, a cereja no topo do bolo são duas aulas diárias de Aerial Yoga com a Jaya Yoga Team. Para quem quiser ter uma noção melhor do que o evento tem para oferecer existem montanhas de vídeos no youtube, dos quais sobressaem os seguintes documentários e webdocs: Boom Festival 2012 Film - The Alchemy Of Spirit ...

Quando o passado já não tem lugar no presente

Escrevi aqui no blogue, há uns tempos, uma review sobre " Patrick Melrose" ,  uma série britânica que explora como os traumas de criança da personagem principal afetam a sua vida adulta. Escrevi também sobre a peça de Hannah Gadsby, "Nanette"  , em que ela faz, num espetáculo de humor, uma brilhante argumentação contra a comédia como meio de lidar com situações traumáticas. A propósito destas coisas, e muitas outras que fui vendo e lendo, inclusive conversas com amigos e amigas, tenho-me questionado quando é tempo de pôr um ponto final e deixar certos traumas onde pertencem: no passado. Qual é a altura de deixar o passado no passado e até que ponto é que reviver situações desagradáveis é saudável para quem as viveu? A propósito disso, fiz uma breve pesquisa e deparei-me com um artigo de 2014 do The Guardian , que fala precisamente sobre isso e ilustra alguns dos pontos que já me têm surgido. Walter Mischel, mais conhecido pelo teste do Marshmallow, q...