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Miss Peregrine's Home for Peculiar Children (2016)

Miss Peregrine's Home for Peculiar Children (2016) é o mais recente filme do gigante da fantasia Tim Burton. Estreou ontem nos cinemas portugueses e felizmente já o fui ver. A ansiedade que antecipou o filme deveu-se a vários factores: uma promessa de um filme do género de fantasia com uma narrativa interessante, personagens bem trabalhadas e diversificadas, atores de renome, bons efeitos especiais, entre outros. São poucos os filmes do género que realmente me caçam a atenção, por isso quando se antecipa um possível sucesso fico sempre entusiasmada.   O filme respondeu e talvez até mesmo superou às expectativas. Jake (personagem principal) é um rapaz que, após perder o avó, embarca numa descoberta de todo um mundo paralelo que conhecia das histórias que o mesmo lhe contava desde a infância, mas no qual tinha deixado de acreditar à medida que crescia. Enquanto tenta recuperar do trauma a sua vida muda quando se entrelaça com outros destinos e desafios.  Jake é inte...

Sleeping Beauty (2011)

Só na segunda tentativa consegui terminar Sleeping Beauty (2011) da realizadora Julia Leigh. Devido ao seu ritmo lento e mood melancólico, adicionados a uma narrativa que explora um tema difícil, a prostituição na vida de uma jovem estudante, foi preciso mais do que a procura de simples entretenimento para acabar o filme. A australiana Emily Browning interpreta Lucy, figura central da história. Uma personagem que vive uma vida enfadonha, sem grandes acontecimentos a nível pessoal, enquanto estuda, trabalha num bar e num escritório e fornece um tipo de serviço sexual pouco comum.  O filme apresenta-nos um mundo secreto, de desejos carnais, entrando na mais íntima existência de suposto membros de elite. Num universo luxuoso, mostra a debilidade sexual de homens idosos e poderosos, contrastando o sucesso social e o inevitável envelhecimento humano. Em contraste, a vida de uma jovem supostamente insignificante, que se torna vital para esses homens. Também, a exploração ...

A arte, a ciência e a imaginação: Danielle Feinberg no mundo da Pixar

Danielle Feinberg é diretora de fotografia da Pixar Animation Studios. Começou a sua carreira em 1997 com o filme "A Bug's Life", trabalhando também em "Toy Story 2", "Monsters, Inc.", "Finding Nemo", "The Incredibles", "Ratatouille", "WALL-E" e "Brave". Nesta TED Talk Feinberg conta um pouco do seu percurso: do desejo de infância de ser artista, ao desejo adolescente de ser cientista, até encontrar o ponto de equilíbrio entre essas áreas. Hoje, a artista combina as áreas de conhecimento, usando  os computadores, a tecnologia e o código para a criação de mundos imaginários, nomeadamente através de técnicas de iluminação em filmes de animação. Uma talk inspiradora que nos incentiva a seguir os nossos sonhos:

Boom Festival: um lugar de encontro entre o corpo, a mente e o espírito

O ano de 2016 data o ano em que, ao fim de muito tempo, realizei uma das missões que já há muito me tinha proposto: ir ao Boom Festival. Um festival sobre futuro, paz, sustentabilidade, harmonia, encontro e esperança numa realidade mais equilibrada do que aquela a que somos expostos diariamente no mundo considerado evoluído e urbanizado. A edição deste ano foi marcada pela homenagem ao Shamanismo, apelando à cura do planeta da terra e à  ligação do ser humano com a natureza. Houve espaço para muitas surpresas durante os 7 dias em que o Boom se realizou. Desde de logo, a maneira incrível como o espaço é utilizado, criando na herdade um recinto que junta as mais variadas áreas artísticas e de conhecimento. Os espaços principais de música, o Dance Temple com sonoridades trance, o Alchemy Circle com sonoridades techno e o Chill Out com sonoridades mais relaxantes, vivem em construções arquitetónicas que homenageiam o psicadelismo. Os dois primeiros, de dia ricos em cores e form...

Green Room: O culto, a realidade e a violência

Green Room (2015), escrito e realizado por Jeremy Saulnier, é um filme de enorme violência gráfica e moral. Quando uma banda de punk rock vai tocar a um isolado bar de neo-nazis, assiste a um homicídio que despoleta a noite mais horrorosa de todos os intervenientes. O filme é acompanhado de uma banda sonora punk e são feitas imensas referências a nomes importantes da cena dos anos 70 e 80. Toda a iluminação do filme nos transporta para um ambiente negro onde o desespero, o medo e o instinto de sobrevivência reinam. É um filme que apesar de poder ferir os olhos e as mentes mais sensíveis induz, mesmo por detrás de todo o horror facilmente apreendido, uma reflexão sobre a dicotomia do espírito: o bom, o mau; o obediente, o insurgente, o violento, o dócil, o fiel. Fá-lo em circunstâncias extremas e com detalhes que criam a ilusão de banalidade, tornando tudo muito natural, muito credível. Neste filme de horror não são os monstros que assustam, não são seres sobrenaturais que nunca ...

Milhões de Festa 2016, Barcelos

De 21 a 24 de Julho Barcelos ganhou vida com a já incontornável edição anual do festival Milhões de Festa. Como é normal nos cartazes que a organização apresenta, grande parte dos nomes a tocar nos três palcos disponíveis eram-me desconhecidos (gosto sempre de ir às cegas para este festival, sem grandes pesquisas no youtube ou conversas sobre os artistas). Todos os dias apresentaram surpresas sonoras que vão de certo ajudar a alimentar os próximos 365 dias. Dou destaque aos concertos de Sons of Kemet, Goat, Gaika, Bixiga 70, Islam Chipsy e Ho99o9. Fica um pequeno resumo destes 3 dias de diversão:

"James White": um retrato cru da vida de um jovem angustiado

“James White” (2015) envolve-nos na vida atribulada de um jovem adulto na casa dos 20 e tal anos. Após a morte de seu pai James tem de lidar com o reaparecimento do cancro de sua mãe, ao mesmo tempo que luta com os comportamentos auto destrutivos que surgem da negação dos seus sentimentos. O filme parte de uma narrativa realista com a qual nos podemos facilmente identificar, uma vez que a história trata a vida de um jovem urbano com problemas marcadamente contemporâneos: a rejeição do crescimento e das responsabilidades a ele implícitas, usando como refúgio o abuso de álcool e drogas, o excesso de vida noturna e a violência. Apesar de ser uma narrativa aparentemente simples é tratada de forma elegante, tornando o filme numa experiência digna dos 85 minutos que preenche. “James White” é a primeira longa-metragem realizada por Josh Mond, já conhecido pelas curtas “Kids in Love” (2010) e “1009” (2013), e conta com a participação dos atores Christopher Aboot (James), Cynthi...