A série The Testaments (2026), enquanto continuação e reconfiguração do universo de The Handmaid’s Tale e da obra de The Testaments de Margaret Atwood, obriga-me a regressar ao meu próprio percurso de leitura e de análise para compreender não só o que a obra faz, mas aquilo que o meu olhar já não consegue deixar de ver. Se em 2018 me interessava a expansão visual do mundo, aquilo que o livro não mostrava e a série tornava visível, e em 2020 me foquei na arquitetura interna de Gilead, na sua hierarquia e nos múltiplos discursos que o sustentam, em 2026 já não consigo olhar para esta série apenas como continuação narrativa. Vejo-a como uma operação mais complexa, a da consolidação de um arquivo de vozes sobre um regime que deixou de ser apenas cenário e passou a ser linguagem. Nesta nova série, o que mais me interessa não é a história de Gilead em si, mas a forma como ela insiste em se fragmentar, através das várias vivências que lhe pertencem. A escolha de múltiplas pe...